Lá se vão diversos anos da minha vida a olhar para os céus de São Paulo, e lá se vão outros tantos mais a frequentar o Pacaembu e a presenciar fiascos monstruosos diante da perigosíssima Portuguesa de Desportos. A lógica e o senso comum, dirão, adicionando um 'portanto', devem impelir-me centrífugos de um jogo desses, sobretudo em dias de chuva. Mas como bom corinthiano sou - e o bom corinthiano desafia lógica, senso comum e demais processos pavlovianos - olhei para o céu escuro e, de tabela do Paulistão em mãos, ignorei aziagos vaticínios, mandei os portantos às favas e comprei meu ticket to ride.
E claro, embarquei numa bad trip: a Burra, como o time microscópico que sempre foi, surgiu num ferrolho hostil de dez homens na defesa; o Corinthians, como o time 'em formação' que sempre vai ser, nadou contra a maré de zagueiros e faltas sem jamais vencer a cobarde barreira. Por fim terminamos a tarde ingrata nos afogando na tormenta que por duas horas fustigou a cidade e aumentou nosso índice pluviométrico em várias grandezas: das numeradas, não podíamos ver as arquibancadas, e pouco divisávamos do gramado; apenas lampejos dos refletores nas inúmeras poças que freavam bola, jogadores e jogo.
Mas quem de fato parou o jogo, investido da devida autoridade, foi o senhor árbitro. Concluiu que o prosseguimento era impossível, ordenou que se desligassem refletores e placar e fez com que o locutor anunciasse através do sistema de som do estádio que "a Secretaria Municipal de Espostes, Lazer e Recreação e a administração do Estádio Paulo Machado de Carvalho 'Pacaembu' informam que o gramado se encontra sem condições de jogo, e por ordens do senhor juiz, a partida está suspensa até data posterior a ser remarcada". Entendi isso como um "cai fora, macacada, que acabou a banana", amealhei meus trapos e fui-me.
Juliana, que brava e heroicamente me acompanhou nessa empreitada, ficou tão surpresa quanto eu quando soube que a partida foi reiniciada hora e meia após nossa saída. A parte nada surpreendente reside no fato da Portuguesa ter aberto o placar e o Corinthians ter finalmente arrancado um empate histórico antes do final, o que é apenas um detalhe - não importa quantas cacetadas tomemos de Juventus ou Portuguesa, não importam as intempéries torrenciais nem o descaso acintoso da FPF com o consumidor que paga cem reais num ingresso: meu time joga? Vou lá.
E claro, embarquei numa bad trip: a Burra, como o time microscópico que sempre foi, surgiu num ferrolho hostil de dez homens na defesa; o Corinthians, como o time 'em formação' que sempre vai ser, nadou contra a maré de zagueiros e faltas sem jamais vencer a cobarde barreira. Por fim terminamos a tarde ingrata nos afogando na tormenta que por duas horas fustigou a cidade e aumentou nosso índice pluviométrico em várias grandezas: das numeradas, não podíamos ver as arquibancadas, e pouco divisávamos do gramado; apenas lampejos dos refletores nas inúmeras poças que freavam bola, jogadores e jogo.
Mas quem de fato parou o jogo, investido da devida autoridade, foi o senhor árbitro. Concluiu que o prosseguimento era impossível, ordenou que se desligassem refletores e placar e fez com que o locutor anunciasse através do sistema de som do estádio que "a Secretaria Municipal de Espostes, Lazer e Recreação e a administração do Estádio Paulo Machado de Carvalho 'Pacaembu' informam que o gramado se encontra sem condições de jogo, e por ordens do senhor juiz, a partida está suspensa até data posterior a ser remarcada". Entendi isso como um "cai fora, macacada, que acabou a banana", amealhei meus trapos e fui-me.
Juliana, que brava e heroicamente me acompanhou nessa empreitada, ficou tão surpresa quanto eu quando soube que a partida foi reiniciada hora e meia após nossa saída. A parte nada surpreendente reside no fato da Portuguesa ter aberto o placar e o Corinthians ter finalmente arrancado um empate histórico antes do final, o que é apenas um detalhe - não importa quantas cacetadas tomemos de Juventus ou Portuguesa, não importam as intempéries torrenciais nem o descaso acintoso da FPF com o consumidor que paga cem reais num ingresso: meu time joga? Vou lá.



























